Arte Revoltada

Saturday, September 29, 2007

Ensaio sobre a "democracia" e suas atuais condições.

Este artigo foi escrito em 10 de setembro de 2006 para uma competição inter-escolares promovida pela Folha Dirigida. Infelizmente meu colégio não foi capaz de reunir alunos suficientes para entrar na competição, portanto este artigo nunca foi publicado. Venho então publicá-lo informalmente, um ano após a sua produção, selando definitivamente a necessidade de que as pessoas o leiam (que parece ser maior do que no ano passado, e creio que esta onda crescente não mudará de curso nas próximas décadas).
Viva a liberdade de expressão! Livre para dizer o que pensa para uma nação escrava do pensamento e reprodutora das idéias dos grandes e poderosos. Simplesmente irônico... Um tiro no pé.

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A democracia surgiu sob o ideal de trazer igualdade para os cidadãos da sociedade, buscando a participação popular no destino de sua nação.
Surgindo no período da Grécia clássica, sob o governo de Clístenes de Atenas, a democracia mostrava-se como uma esperança diante do contexto político, intensamente caracterizado pela tirania. No entanto, a democracia foi esquecida nos primeiros anos do império Romano, tendo o seu retorno à História no século XVII como teoria, e XVIII de modo efetivo, graças aos ideais propagados pelo mundo com a influência da revolução francesa e a independência dos Estados Unidos da América sob a forma de democracia moderna.
Buscando a definição do verbete democracia pelo dicionário eletrônico Houaiss, encontra-se: “governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania; sistema político cujas ações atendem aos interesses populares; governo no qual o povo toma as decisões importantes a respeito das políticas públicas (...); sistema político comprometido com a igualdade ou com a distribuição equitativa de poder entre todos os cidadãos.”
Atentando para a definição, é interessante lembrar que mesmo com todos os ideais de igualdade difundidos por quase todo o mundo, graças a globalização, a democracia parece cada vez mais esquecer o seu real sentido, impresso na etimologia da palavra, do grego dêmos, “povo”, e kratía, “força, poder”. Ao olhar o Brasil de forma crítica, tendo em mãos a definição da democracia moderna, percebe-se um enorme abismo que separa o caráter ideológico da constituição brasileira e a efetivação do mesmo.
Infelizmente os ideais apresentados durante o Iluminismo não foram seguidos à risca no tocante à igualdade de poder. Tratando-se do mundo capitalista em que o Brasil está inserido, onde o capital representa o poder, e como uma continuação de toda a História já ocorrida, este poder se mantem concentrado nas mãos desta minoria.
De fato, muita evolução ocorreu no sistema democrático desde Clístenes até os filósofos iluministas, como o barão de Montesquieu e John Locke. Porém, com boa parte da população parecendo manter desligado o seu olhar crítico sobre o contexto político, toda esta evolução se mostra ameaçada. Isso pode ser constatado em pesquisas datadas do ano de 2005 que indicam um fato realmente preocupante: a insatisfação do brasileiro com a democracia.
Segundo a revista britânica The Economist, a preferência pela democracia no Brasil - que em 1996 era de 50% dos entrevistados, número já preocupante - teve uma constante queda, sendo que em 2005 somente 37% dos brasileiros tinham preferência pela democracia. Mais preocupante ainda, são os dados do Latinobarômetro indicando que apenas 56% dos brasileiros da atualidade rejeitam a idéia de um eventual retorno do poder aos militares. Estes dados não só preocupam, como também tomam feições aterrorizadoras em face às repressões já sofridas durante o regime militar por aqueles que tanto lutaram por essa liberdade, para que a mesma seja entregue sem o menor traço de protesto.

Saturday, September 09, 2006

2o. Post: Auto-flagelo ou inconformismo?

Por que o mundo tá assim?

Ser bom é tão difícil?
Talvez...

Mas será tão fácil assim ser uma máquina propagadora do mal?

Papai do Céu, tá tudo tão fora de ordem...
Por que não envia logo O Teu amado, e dá um jeito nisto tudo...
Eu quero fazer a minha parte, mas sou tão débil e fraco...
Não faço nada direito.

Tantos precisando de mim, seus olhos gritam pedindo misericórdia.
Vidas que se vêem enclausuradas em um inferno terreno sem saída, sem ar, claustrofóbico...

A vida passa ser tão difícil quando se olha para o lado...
Deve ser por isso que as pessoas pisam firme, e andam a correr pelas ruas...
Esbarrando nos postes, nas pessoas, tanto faz.

A vida não faz mais sentido?
A dor física conforta a dor do coração?
É... Tem algo errado...

O suícidio lento se mostra como uma saída.
Nos matamos aos poucos, para fugir dos problemas.
Isso porque não vemos a saída, quase imperceptível.

No início é só uma frestinha de luz... E se não a percebermos, continuará sendo.

Mas não... Eu consigo olhar para esse frestinha, e vejo que há luz nesta caverna da vida, cheia desta fumaça que me asfixia, que me impossibilita de pensar, de desejar, de viver... Mas eu consigo ver este pequeno raio de luz que ao olhar para cima, ilumina meus olhos molhados, enchem meu ser de esperança.

O sangue que não pára de correr, a dor que mesmo sendo forte, não me faz esquecer esta dor, tão forte, que aperta meu peito...
Tudo isto me sufuca, mas a luz tímida que consigo enxergar toma dimensões tão grandes a partir do momento que a desejo, e que vejo que há uma saída...

Ela me puxa...
Ela me diz: Filho meu, há uma saída... Uma saída que guardei só pra ti...

Ao sentir meu corpo saindo desta caverna, começo a lembrar de tudo que um dia fiz, e sentir que nada disso existirá novamente.
Meu corpo caminha para luz, em uma alegria que nunca senti.
A vida parece ser boa.

Mas que coisa estranha, viver é bom?
Existe esperança?
Existe amor?

Sim... Sempre haverá uma pessoa que te dará a mão no momento que mais precisa, nem que isso seja feito em silêncio, em profundo compartilhamento da dor...

E mesmo, que ninguém esteja a estender a mão confortadora...
Volto a ouvir a voz que me tirou da caverna, que diz: Eu estou aqui, só para te ajudar.

E como o filho que reencontra a sua mãe, sinto um forte abraço, onde horas se passam e não quero mais ser largado.
Não percebo o tempo passar.
Sim... A vida vale a pena...

Sempre há uma saída...
O anoitecer é frio, mas o sábado amanhece.

É preciso sentir a dor para entender como é boa a alegria?
Sei de um lugar onde a dor não mais existirá...
Onde a felicidade é sem fim...

A lua cheia me enlouquece... Será que ninguém me vê? Ninguém me ouve neste histérico pedido de ajuda silencioso?
Mas vejo-a, a lua, caminhando para o oeste, sem tempo nem para um adeus. Até que em uma mescla de cores, vejo aquele mesmo raio de luz, aparecer de mansinho, iluminando, vindo do leste.
Olhos fechados, sorriso sincero...

Onde há luz, não pode haver trevas.
O dia amanhece...
Sempre amanhece.


Dedicado à única pessoa em minha lembrança que me fizeste derramar lágrimas com um pouco menos de 15 palavras...

Tuesday, September 05, 2006

1a. vítima

Eu, no auge da minha humildade, me diminuindo ao máximo que meu ego e minha auto-estima pode sobreviver, ainda me declaro superior a toda esta ignorância instruída!

Se um dia o homem houvesse pensado de modo coerente, e não conseguisse conter seu desejo de segregação de uma mesma espécie em raças, teria criado uma terceira classe denominada 'animais alfabetizados impensantes', ou irracionais se melhor preferirem.

Toda chance de demonstrar seu desprezível intelecto em uma tentativa obviamente impensada, uma vez que lhe falta capacidade para o oposto, ele aproveitará.

Cercado pelos holofotes imaginários, ao lado de uma platéia que aclama sua habilidade de pseudo-raciocínio ainda em evolução, semelhante ao encontrado na célula desprovida de carioteca, ele se descobre e se mostra.

Não sei o que mais me enoja e fascina ao mesmo tempo...
Poder apreciar um exemplar 'alfabetizado irracional' em atuação, ou ver seus seguidores a ouvir atentamente aclamando com comentários que apesar de intensa carga negativa intelectual, ainda não conseguem ser tão fascinantes e verdadeiros mantenedores de pensantes bocas abertas paralisadas que não podem crer no que ouvem, quanto seu líder intelectual de apreciado três dígitos iniciados por um zero seguido de uma vírgula.

Meu consolo é que isso irá passar...
Ao menos para mim.

Confesso que sentirei saudade de seus comentários que tanto me reanimavam nos meus momentos de auto-flagelo que possuem suas causas em falhas intelectuais.

Não me declaro superior a nenhum outro humano, desde que a definição de animal racional nunca deixe de ser atrelada aos homens.

Sem mais ofensas por hoje.


Ofereço estas belíssimas palavras requintadas de intensa arte de caráter absolutamente benevolente à pessoa de supra-suma capacidade de liderança e intrometimento onde sua presença não foi só não requisitada, como também indesejada, dotada das poucas idéias das quais minha mente pensante ainda não teve capacidade de interpretação para tais, onde nem no mundo do absurdo existe a resposta, talvez nos dos quadrúpedes, sem querer menosprezá-los, é claro.